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ONDE O SOL APRENDE A DESENHAR

  Por João Guató  Uma leitura pela Poética do Inacabado e pela Mitologia Cosmológica do Eu A minha filha Ana Bella gosta de desenhar como quem conversa com os passarinhos sem precisar aprender a língua deles. Gosta de pintar porque talvez as cores ainda saibam o nome das coisas antes que os dicionários as aprisionem. Os psicólogos dirão que isso faz parte do desenvolvimento psicomotor de uma criança de seis anos. Eu não discordo. Mas desconfio que existe uma ciência que ainda não foi escrita sobre o modo como as crianças fabricam universos. Resolvi, então, olhar seus desenhos não como pai, mas como quem escuta uma nascente. Li cada folha pelos pressupostos da Poética do Inacabado e daquilo que venho chamando de Mitologia Cosmológica do Eu . Não procurei formas acabadas. Procurei o instante em que o mundo ainda está sendo inventado. Porque uma criança não desenha objetos. Ela desenha o nascimento deles. Foi assim que descobri que Ana Bella não pinta árvores. Ela planta árvores...

A POÉTICA DO INACABADO: O NASCIMENTO DE UMA MITOLOGIA INTERIOR

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