Por João Guató
A política tem o estranho costume de devolver alguns nomes ao lugar de onde nunca deveriam ter saído: a memória.
O anúncio da pré-candidatura de Antero Paes de Barros à Câmara Federal pelo Partido Verde, na federação formada por PT, PV e PCdoB, despertou em mim não o analista político, mas o cronista. Antes de discutir projetos ou eleições, senti vontade de revisitar o homem que conheci muito antes dos palanques, quando sua maior tribuna era um microfone de rádio.
Foi em 1977. Rua Campo Grande, esquina com rua de cima, próximo da rua do meio, do centro histórico de Cuiabá.
Na antiga Rádio Voz do Oeste, Antero liderava uma equipe esportiva que reunia bons profissionais e grandes amigos do rádio: Rubens Neves, Roberto de Jesus César, o Careca, Dorileo Leal e tantos outros que ajudaram a construir um tempo em que a notícia ainda tinha cheiro de estúdio, de café passado e de papel rabiscado.
Antero era o comentarista. Sua marca registrada encerrava cada análise como quem fincava uma bandeira na conversa dos ouvintes: "Antero Paes de Barros... na zona do Agrião."
Era mais que um bordão. Era identidade. Sua voz chegava antes da imagem. Havia gente que o conhecia sem nunca tê-lo visto. Bastava ouvi-lo para reconhecer um cuiabano que falava com a serenidade dos rios e a firmeza de quem não desperdiçava palavras.
Muito antes de vestir as cores da política, Antero já carregava as cores da cuiabania.
Sua origem nunca foi um discurso. Era um jeito de existir. Estava na cadência da fala, no respeito pelos mais velhos, na defesa espontânea da cultura da terra, na compreensão de que uma cidade também é feita de lembranças, sotaques, quintais e sombras de mangueira.
Se Manoel de Barros gostava de dizer que as palavras criavam raízes quando encontravam o chão certo, talvez se possa dizer que, no princípio, Antero era voz.
Depois, essa voz criou raízes.
E, como acontece com as árvores que sabem de onde vieram, escolheu crescer sem deixar de conversar com a terra.
Por João Guató
Antes de ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Cuiabá, Antero Paes de Barros já ocupava um lugar na memória dos cuiabanos.
Era pela voz.
O rádio havia ensinado seu nome às famílias muito antes das urnas. Quem o escutava percebia um comentarista que falava sem atropelar as palavras. Sua opinião não precisava de volume para convencer. Tinha o ritmo das águas do Cuiabá: seguia firme, contornando pedras sem perder o rumo.
Quando decidiu disputar uma vaga de vereador pelo PMDB, nas eleições de 1982, não precisou construir um personagem eleitoral. Levou para as ruas o mesmo homem que os ouvintes conheciam do microfone. Conversava mais do que discursava. Preferia o aperto de mão à retórica inflamada. Descobriu cedo que o voto nasce da confiança, não do espetáculo.
Eleito para a legislatura iniciada em 1983, encontrou uma Cuiabá que crescia entre a tradição e a modernidade. As mangueiras ainda desenhavam sombras sobre as ruas antigas, mas a cidade começava a avançar para novos bairros, levando consigo desafios que exigiam mais do que promessas.
Naquele período, Mato Grosso era governado por Júlio Campos, que conduziu o Estado entre 1983 e maio de 1986. Com sua renúncia para disputar o Senado, o vice-governador Wilmar Peres de Farias assumiu o restante do mandato. Em Cuiabá, a Prefeitura estava sob o comando de Anildo Lima Barros, nomeado pelo governador, sendo sucedido, em 1985, por Mário Garcia Neto. Era um tempo em que os prefeitos das capitais ainda não eram escolhidos pelo voto popular, mas por indicação do governo estadual, reflexo de um Brasil que caminhava lentamente para reencontrar a democracia.
Foi nesse cenário que Antero fez da Câmara uma extensão das ruas.
Nunca transformou a tribuna em palco. Preferia fazer dela um lugar de conversa. Defendia a cultura cuiabana como quem protege a própria casa. Sabia que uma cidade não vive apenas de concreto, mas também de memória, de sotaque, de festas populares, de rios, de quintais e das histórias que passam de geração em geração.
Seu mandato também deixou uma marca concreta na vida dos estudantes. Foi autor da lei do meio-passe estudantil em Cuiabá, permitindo que milhares de jovens tivessem acesso mais fácil às escolas e universidades. Era uma medida simples na aparência, mas profundamente transformadora. A política, às vezes, muda destinos apenas encurtando a distância entre a casa e a sala de aula.
Antero caminhava pela cidade como quem escuta uma velha amiga. Conhecia o valor das pequenas conversas e entendia que o mandato não terminava quando se fechavam as portas do gabinete.
Por isso sua passagem pela Câmara foi breve apenas no calendário.
Em 1986, antes de concluir aquele ciclo, a confiança dos eleitores o levou à Assembleia Nacional Constituinte. Brasília recebeu o deputado federal. Cuiabá continuou morando no homem.
Talvez porque Antero jamais tenha separado a política da palavra.
Primeiro foi voz.
Depois, fez da própria voz um serviço público.
Por João Guató
Há momentos em que a História deixa de ser apenas o registro do passado para se transformar em responsabilidade.
Em 1987, o Brasil vivia um desses momentos. Depois de vinte e um anos de regime militar, o país precisava reaprender a escrever a palavra liberdade. Não bastava recuperar a democracia. Era preciso desenhá-la em papel, artigo por artigo, direito por direito, para que nunca mais fosse arrancada da vida dos brasileiros.
Foi nesse cenário que Antero Paes de Barros chegou a Brasília.
Eleito deputado federal pelo PMDB, tomou posse na Assembleia Nacional Constituinte em 1º de fevereiro de 1987. Levava consigo pouco mais que a experiência de vereador em Cuiabá, o ofício de jornalista e radialista e uma convicção aprendida muito cedo: a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.
Nos corredores do Congresso Nacional, onde tantas vozes disputavam espaço, Antero encontrou seu lugar sem precisar alterar o tom da própria fala. Continuou sendo o homem da conversa, da argumentação serena e da construção de consensos.
Sua atuação concentrou-se em três grandes bandeiras que ajudariam a moldar a Constituição de 1988.
A primeira foi a defesa das instituições democráticas. Como integrante da Subcomissão de Garantia da Constituição, Reformas e Emendas, participou das discussões que fortaleceram o Estado Democrático de Direito, consolidando regras destinadas a proteger as instituições, assegurar as liberdades públicas e impedir que o país voltasse aos tempos da exceção.
A segunda foi a política agrária e o desenvolvimento do campo. Como suplente da Subcomissão da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, levou para o debate nacional temas profundamente ligados à realidade de Mato Grosso, um estado que crescia entre a expansão agropecuária, os conflitos fundiários e a necessidade de construir segurança jurídica para quem vivia e produzia na terra.
A terceira bandeira foi o fortalecimento do sistema eleitoral e dos partidos políticos. Antero compreendia que uma democracia sólida depende de instituições respeitadas, de eleições confiáveis e de partidos capazes de representar a sociedade.
Mas seu trabalho não ficou restrito à arquitetura da Constituição.
Foi um defensor intransigente dos direitos sociais dos trabalhadores.
Participou da construção da emenda constitucional que assegurou o direito de voto aos jovens de 16 anos, ampliando a participação política de uma geração inteira de brasileiros. Também esteve entre os parlamentares que defenderam a incorporação do adicional de um terço sobre as férias dos trabalhadores, direito hoje incorporado à vida do país, e lutou pela licença-maternidade de 120 dias, uma conquista que transformou a proteção à infância e à mulher trabalhadora.
Naquele tempo, muitos afirmavam que ampliar a licença-maternidade afastaria as mulheres do mercado de trabalho.
Antero pensava diferente.
Anos depois, resumiria sua convicção numa frase que o tempo tratou de confirmar:
"A ciência provou que, quanto mais tempo as mães amamentarem seus filhos, menos problemas de saúde eles terão. E a prática demonstrou que a participação das mulheres no mercado de trabalho só aumentou."
A política, às vezes, mede sua grandeza não pelas disputas que vence, mas pelos direitos que deixa como herança.
Foi exatamente isso que aconteceu.
Sua atuação na Constituinte ganhou reconhecimento nacional. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) classificou Antero entre os parlamentares de maior influência do Congresso Nacional, concedendo-lhe a distinção de "deputado nota 10". Não era um prêmio para quem falava mais alto, mas para quem construía pontes, articulava consensos e fazia as ideias avançarem.
A Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988 ficou conhecida como a Constituição Cidadã.
Nela estão inscritos direitos que hoje parecem naturais, mas que nasceram de longas negociações, divergências e acordos.
Antero ajudou a escrever parte dessa história.
Talvez essa seja a diferença entre uma voz que apenas ecoa e uma voz que permanece.
A primeira desaparece quando termina o discurso.
A segunda continua vivendo nas leis que protegem as pessoas muito depois que o orador deixa a tribuna.
Por João Guató
Toda voz nasce pequena.
Primeiro, ela cabe numa rua. Depois, atravessa uma cidade. Há vozes, porém, que acabam encontrando o tamanho de um país.
Quando Antero Paes de Barros chegou ao Senado Federal, em 1999, já não era apenas o comentarista esportivo que conquistara os ouvintes da Rádio Voz do Oeste, nem somente o vereador que aprendera a ouvir Cuiabá ou o deputado constituinte que ajudara a escrever a Constituição de 1988.
Era um político amadurecido pela experiência e convencido de que o Parlamento não existe para servir ao governo, mas para servir à sociedade.
Brasília lhe oferecia um palco maior.
Antero preferiu transformá-lo em tribuna de fiscalização.
Durante oito anos como senador por Mato Grosso, seu mandato foi marcado pela vigilância permanente sobre os atos do poder público. Defendia que o dinheiro do contribuinte não pertence aos governantes. Pertence ao povo. E quem administra recursos públicos deve prestar contas com a mesma naturalidade com que um lavrador presta contas da própria colheita.
Sua presença tornou-se constante nos grandes debates nacionais.
Participou das principais Comissões Parlamentares de Inquérito do período. Na CPI do Narcotráfico ajudou a desvendar organizações criminosas que ameaçavam as fronteiras brasileiras. Na CPI dos Correios, que revelou o escândalo do mensalão, destacou-se entre os parlamentares mais ativos na investigação dos fatos que abalaram a República.
Era um tempo em que o Congresso vivia sob forte tensão política.
Enquanto muitos transformavam as CPIs em espetáculos para as câmeras, Antero preferia fazer perguntas. Sabia que uma boa pergunta costuma ser mais poderosa do que um discurso inteiro.
Sua atuação firme lhe rendeu reconhecimento nacional. Tornou-se um dos parlamentares mais influentes do Congresso, recebendo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o DIAP, a classificação de "deputado nota 10", distinção reservada aos parlamentares de maior capacidade de articulação, liderança e influência nas decisões do Parlamento.
Mas Brasília nunca lhe apagou o sotaque.
Continuou defendendo Mato Grosso com a mesma convicção de quem conhece a poeira das estradas e o silêncio dos rios. Lutou por infraestrutura para um Estado que crescia em produção, pela regularização fundiária, pela melhoria da logística e pelo fortalecimento das instituições públicas. Sabia que o desenvolvimento precisava caminhar junto com a segurança jurídica e o respeito às pessoas.
Muito antes de chegar ao Senado, Antero experimentara, ainda que por breves períodos, a responsabilidade de governar Mato Grosso. Na condição de presidente da Assembleia Legislativa, assumiu interinamente o comando do Estado durante ausências do governador.
Foi uma experiência curta no calendário, mas longa no aprendizado.
Ali compreendeu que administrar é muito diferente de prometer. Governar significa decidir todos os dias entre o possível e o necessário. Essa vivência ampliou sua compreensão sobre a máquina pública e fortaleceu sua atuação parlamentar nos anos seguintes.
Quem acompanhava Antero percebia um traço constante.
Ele não fazia da política um instrumento de popularidade.
Fazia dela um exercício de responsabilidade.
Talvez porque jamais tenha esquecido sua origem de jornalista.
O bom jornalista fiscaliza o poder.
O bom parlamentar também.
Entre Cuiabá e Brasília havia milhares de quilômetros.
Mas Antero nunca deixou que essa distância alterasse a direção da sua voz.
Continuou falando como quem aprendeu, às margens do Rio Cuiabá, que a verdade não precisa gritar para ser ouvida.
Porque algumas vozes passam pelos cargos.
Outras deixam os cargos e permanecem ecoando na memória da República.
Por João Guató
Há homens que entram na política para vencer eleições.
Outros entram porque acreditam que algumas ideias precisam encontrar voz, mesmo quando as urnas escolhem outro caminho.
Foi esse o desafio que Antero Paes de Barros enfrentou nas disputas pelo governo de Mato Grosso.
Depois de consolidar uma trajetória como vereador, deputado constituinte e senador da República, decidiu oferecer seu nome ao julgamento mais amplo que um político estadual pode enfrentar: governar sua terra.
A primeira tentativa aconteceu em 2002.
A segunda, em 2006.
Nas duas ocasiões, encontrou pela frente um adversário forte, Blairo Maggi, empresário que simbolizava a ascensão econômica do agronegócio mato-grossense e que venceu ambas as eleições. Em 2002, Antero recebeu 360.069 votos. Quatro anos depois, conquistou 279.873 votos.
Os números contam o resultado.
Não contam a caminhada.
Antero construiu suas campanhas apoiado nas mesmas bandeiras que marcaram toda a sua vida pública. Defendia o combate à corrupção como princípio de governo, a transparência na administração pública, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e a independência do Estado diante do poder econômico.
Falava da necessidade de um Mato Grosso que crescesse sem esquecer os pequenos produtores, defendia a agricultura familiar ao lado do agronegócio, propunha investimentos na saúde regionalizada, valorização dos professores, ampliação do ensino técnico e uma segurança pública capaz de enfrentar o crime organizado nas fronteiras do Estado.
Era um programa que colocava a ética no centro da administração.
Talvez porque nunca tenha acreditado que governar fosse apenas construir obras.
Governar também é construir confiança.
Naqueles anos, Mato Grosso vivia um novo ciclo econômico. A força do agronegócio transformava a paisagem, impulsionava cidades e atraía investimentos. O eleitorado escolheu a continuidade daquele projeto.
Antero respeitou o resultado.
Nunca transformou a derrota em ressentimento.
A democracia ensina uma lição que vale tanto para quem vence quanto para quem perde: o voto pertence ao cidadão, nunca ao candidato.
Poucos políticos compreendem isso com serenidade.
Antero compreendeu.
Talvez porque já tivesse experimentado quase todos os lugares da vida pública. Conhecia a tribuna, o plenário, as CPIs, o Senado, a Constituinte e até o exercício interino do governo de Mato Grosso.
Sabia que nenhum cargo é maior do que a consciência de quem o ocupa.
As eleições passam.
As ideias permanecem disputando espaço na memória das pessoas.
Há derrotas que diminuem homens.
Há derrotas que apenas encerram um capítulo.
A caminhada de Antero nunca foi medida apenas pelas urnas.
Foi medida pela coerência.
Porque a política transforma o vencedor em governador por quatro anos.
Mas somente o tempo decide quem continuará sendo lembrado depois que as urnas silenciam.
Por João Guató
Há homens que deixam a política como quem fecha uma janela.
Outros apenas encostam a porta.
O tempo passa. A poeira cobre as pegadas. Os palanques desaparecem, os discursos envelhecem, os adversários mudam de lugar. Mas algumas vozes recusam o silêncio. Permanecem rondando a memória das cidades, como o sino de uma igreja antiga que ninguém vê balançar, mas todos reconhecem quando toca.
Antero Paes de Barros é uma dessas vozes.
Ao longo destas crônicas, procurei contar menos a biografia de um político e mais a travessia de um cuiabano. O menino que aprendeu primeiro a escutar. O radialista que transformou a palavra em profissão. O vereador que levou a conversa para dentro da Câmara. O constituinte que ajudou a escrever a Constituição Cidadã. O senador que fez da fiscalização um compromisso. O candidato que conheceu a vitória e também a derrota sem permitir que uma anulasse a outra.
Porque a política, ao contrário do que imaginam seus apaixonados e seus críticos, nunca é feita apenas de mandatos.
É feita de permanências.
Antero nasceu em Cuiabá, em 3 de janeiro de 1953. Cresceu entre o calor que amadurece as mangueiras, o rumor preguiçoso do Rio Cuiabá e a convicção de que a palavra tem peso quando nasce da verdade. Antes de disputar eleições, aprendeu a disputar ideias. Antes de ocupar cargos, ocupou microfones. Descobriu cedo que uma frase honesta costuma viver mais do que muitos governos.
Depois de quase vinte anos afastado das disputas por cargos eletivos federais, anuncia sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.
Não parece voltar em busca de um cargo.
Parece voltar para reencontrar uma conversa interrompida.
Mas o país já não é o mesmo.
A política trocou os palanques pelas redes sociais. Os discursos ficaram mais curtos. As certezas mais apressadas. A indignação passou a durar o tempo de uma postagem. A velocidade começou a disputar espaço com a reflexão.
Ainda assim, existem homens que insistem em caminhar sem acompanhar a pressa do relógio.
Antero pertence a essa geração que acredita que a política continua sendo construída pelo diálogo, pela escuta e pela experiência acumulada ao longo dos anos. Sua trajetória lhe ensinou que o poder nunca é patrimônio de ninguém. É apenas um empréstimo concedido pelo voto e devolvido pelo tempo.
Talvez por isso tenha atravessado a vida pública sem abandonar o jornalismo.
Enquanto esteve longe das urnas, permaneceu próximo da política. Comentou, escreveu, analisou, criticou. Continuou exercendo o velho ofício de observar a República. Mudou de lugar, mas não de compromisso.
Agora, retorna ao caminho que conhece.
Não há garantias.
As urnas não distribuem homenagens. Não premiam biografias. Tampouco consultam a nostalgia. Julgam apenas o presente.
E talvez seja justamente isso que torna a democracia tão fascinante e tão imprevisível.
Esta série de crônicas não foi escrita para pedir votos, nem para construir santidades. Foi escrita para preservar a memória de uma trajetória que se confunde, em muitos momentos, com a própria história política de Mato Grosso nas últimas décadas.
Cabe agora ao eleitor escrever o próximo capítulo.
Ao cronista, basta cumprir sua tarefa.
Registrar o tempo antes que o tempo apague suas pegadas.
Porque os homens passam.
Os mandatos terminam.
Mas algumas vozes continuam caminhando pelas ruas da memória, como se nunca tivessem ido embora.




