PASQUIM CUIABANO GANHA NOVO ENDEREÇO E MANTÉM ACESSO GRATUITO


Por João Guató

A
prendi jornalismo com a mão manchada de tinta e a paciência de quem esperava o mimeógrafo rodar. Escrevi à mão, bati laudas em máquina barulhenta, usei fax como se fosse portal intercontinental. Naveguei na internet discada ouvindo aquele chiado que parecia rádio tentando falar com Marte. Inaugurei o primeiro e-mail na redação como quem acende uma fogueira tecnológica no meio do cerrado. Atravessei a pandemia da Covid-19, vi o mundo silenciar ruas e lotar telas. Agora chego à inteligência artificial sem medo de algoritmo. Ferramentas mudam. O compromisso não.

Com cinquenta anos de estrada na comunicação, anuncio que o Pasquim Cuiabano ganha novo endereço na plataforma Blogger. Está disponível em https://pasquimcuiabanoo.blogspot.com/ e segue como produção independente, não comercial e de acesso gratuito. Muda a fachada digital, permanece a trincheira.

Passei pelo rádio, pela televisão, pelo jornalismo impresso e pelas mídias sociais. Sou jornalista, radialista, poeta, docente e pesquisador no ambiente amazônico. Mestre e doutor em Educação Ambiental, com pós-doutorado em infância indígena e inteligência artificial aplicada à educação, aprendi que território não é conceito abstrato. É chão, memória e conflito. O Pasquim nasce desse encontro entre ciência, rua e palavra.

Publico crônicas, análises, denúncias e registros da vida pública mato-grossense. Uso ironia como instrumento crítico e humor como forma de revelar contradições. A cidade, o campo e as comunidades tradicionais não cabem em nota de rodapé. Precisam de narrativa própria.

Nesta nova fase, o projeto dialoga com o Território Mídias Brasil, fortalecendo a articulação entre mídias de território e ampliando a circulação de informação qualificada voltada às periferias urbanas, ao campo e às comunidades tradicionais. Comunicação é rede. Democracia também.

O Pasquim continua gratuito porque acredito que informação não deve ser mercadoria de luxo. Mas deixo registrado, com a serenidade de quem já enfrentou censura, pressões e tempestades políticas: se para sobreviver em tempos de caça às bruxas eu tiver que gritar por socorro, gritarei. E se for preciso, envio o pix sem constrangimento. Independência não paga boleto sozinha.