Crônica Literária Especial de João Guató
Partido político adora falar de projeto coletivo, mas, na prática, sempre tem alguém puxando a fila enquanto o resto tenta não tropeçar. O PT em Mato Grosso não fugiu dessa regra em nenhuma década. Se a curva de votos sobe e desce como humor de eleitor em semana de eleição, é porque, por trás dela, sempre teve uma meia dúzia de nomes carregando o piano. Às vezes afinados, às vezes desafinando bonito o samba de uma nota só.
Nos anos 80, não tinha liderança forte no sentido clássico. Tinha teimosia organizada. Era gente de movimento social, sindicato, igreja progressista, professores e militantes que acreditavam que política ainda podia ser feita sem precisar pedir bênção para quem mandava no estado. Não elegia ninguém, mas plantava. Era um PT de base, sem vitrine, que falava mais do que aparecia. Ingênuo? Talvez. Mas funcional para quem estava começando do zero.
Nos anos 90, o partido descobre o valor de ter rosto. Gilney Viana aparece como deputado estadual, Serys Slhessarenko ganha densidade política, e Carlos Abicalil se firma como quadro federal. Aqui o PT aprende a jogar o jogo institucional. Ainda com discurso ideológico, mas já entendendo que sem voto não tem tribuna. É a década em que o partido deixa de ser promessa e vira presença. Não é dominante, mas também não é ignorado.
A década de 2000 é o auge, e, curiosamente, é quando as lideranças parecem mais alinhadas. Serys no Senado, Ságuas Moraes na Câmara, Abicalil consolidado, Lúdio Cabral emergindo no estadual. Havia uma espécie de engrenagem funcionando. Cada um ocupava um espaço, e o partido conseguia dialogar com diferentes setores sem parecer perdido. Era o PT mais organizado que Mato Grosso já viu. Não por genialidade, mas por encaixe.
A partir de 2010, o cenário muda. As lideranças continuam, mas já não puxam na mesma direção. O partido perde intensidade, e a mobilização vira manutenção. Lúdio Cabral e Valdir Barranco seguram o estadual com consistência, mas sem expansão. No federal, falta continuidade. O PT entra numa fase em que não perde completamente, mas também não cresce. É aquele momento em que a liderança existe, mas não contagia.
Em 2018, Rosa Neide assume o protagonismo quase sozinha. É uma liderança que surge mais pela necessidade do que por um planejamento coletivo. Ela reorganiza o espaço federal do partido e devolve alguma competitividade. Mas também expõe um problema antigo: o PT depende demais de figuras específicas para sobreviver eleitoralmente. Quando o partido vira extensão de uma candidatura, qualquer erro custa caro.
Chega 2022, e as lideranças já não são apenas nomes. São estratégias ambulantes. Rosa Neide puxa a votação histórica, Lúdio, Barranco e Henrique Lopes mantêm a base estadual, e o partido tenta se reconstruir em cima de uma lógica mais ampla, incluindo federação e alianças. Não é mais só liderança carismática. É liderança combinada com cálculo. Um pouco mais frio, um pouco mais pragmático.
O curioso é que, ao longo dessas décadas, o PT nunca deixou de ter liderança. O que mudou foi o tipo de liderança. Sai o militante raiz, entra o quadro institucional. Sai o ideológico puro, entra o articulador. Sai o coletivo espontâneo, entra o planejamento estratégico. Evolução natural, diriam alguns. Perda de identidade, diriam outros.
No fim, o partido continua dependendo da mesma coisa que sempre dependeu: gente que consiga transformar voto em direção. Porque liderança política não é só aparecer bem na foto ou puxar voto. É dar sentido ao que o partido está fazendo.
E nisso, convenhamos, o PT em Mato Grosso ainda alterna entre momentos de lucidez e episódios bem ensaiados de confusão. Como qualquer organização que já cresceu, já caiu e ainda não decidiu exatamente o que quer ser quando amadurecer.
A CURVA, O CICLO E O PARTIDO QUE NUNCA PARA NO MESMO LUGAR
Nos anos 80, o PT era praticamente um sussurro. Entre mil e cinco mil votos, sem mandato, sem estrutura e com aquela convicção típica de quem ainda acredita que política é feita só de ideia. Crescia devagar, mas crescia. Nos anos 90, finalmente entra no mapa. Gilney Viana surge como deputado estadual, Abicalil chega à Câmara Federal, e o partido aprende que voto também é logística. Sai da casa dos poucos milhares e começa a trabalhar com dezenas de milhares. Não era potência, mas já era presença.
A virada vem nos anos 2000, o auge. Aqui o gráfico sobe sem pedir licença. Serys no Senado, Ságuas na Câmara, Abicalil consolidado, Lúdio entrando no estadual. O partido ultrapassa 60 mil votos para federal e chega a 75 mil no estadual. Era o momento em que o PT não apenas participava do jogo, mas influenciava o tabuleiro. Tinha voto, tinha nome, tinha narrativa. Parecia que finalmente tinha encontrado um lugar estável em Mato Grosso.
E então, como manda a tradição petista local, veio o recuo. A década de 2010 começa com queda. O partido perde fôlego, os números encolhem e a curva desce sem muito drama, mas com insistência. Em 2014, segura a posição, mas já não cresce. Em 2018, dá sinais de vida com Rosa Neide, que se elege com 51 mil votos e recoloca o partido no jogo federal. É uma retomada, mas ainda com aquele ar de improviso controlado.
Aí chega 2022, e o PT faz algo que só ele consegue explicar sem corar: explode em votação e falha em transformar isso em poder proporcional. Rosa Neide passa de 100 mil votos, o partido chega a 134 mil no total para federal, a maior marca em anos, e ainda assim não elege ninguém. É o tipo de resultado que, em qualquer outro contexto, seria considerado um erro grave. Aqui virou quase uma especialidade.
No estadual, a história é menos dramática, mas igualmente reveladora. O PT mantém uma linha relativamente estável ao longo das décadas, com oscilações entre 40 mil e 85 mil votos, e nomes que funcionam como pilares: Lúdio Cabral, Valdir Barranco, agora Henrique Lopes. O partido não desaparece. Mas também não rompe o teto. Cresce até certo ponto e depois estaciona, como se tivesse encontrado um limite invisível.
O que esse gráfico, ainda que imaginário, escancara é um padrão: o PT em Mato Grosso não sabe crescer de forma contínua. Ele cresce em ciclos. Tem momentos de auge, seguidos de retração, seguidos de reconstrução. E cada reconstrução vem com o mesmo discurso de novidade, como se o passado tivesse sido apenas um rascunho.
Para 2026, os cenários desenhados são quase previsíveis. Pode manter o crescimento e voltar à Câmara Federal. Pode estabilizar e continuar administrando duas ou três cadeiras estaduais. Ou pode repetir o velho erro da dispersão, com muitos candidatos competindo entre si dentro da própria federação e transformando voto em frustração. Tudo depende de fatores que o partido conhece bem: interior, sindicatos, voto indígena, desempenho nacional.
No fundo, o PT em Mato Grosso não sofre de falta de voto. Sofre de irregularidade crônica. É um partido que já provou que consegue subir. O problema é que nunca decidiu como permanecer lá em cima.
E assim segue a curva: sobe, desce, reaparece. Sempre com a promessa de que, dessa vez, é diferente. Sempre com a chance real de provar exatamente o contrário.
20 ANOS, TRÊS NOMES E UM PARTIDO EM BUSCA DE SI
O PT em Mato Grosso passou os últimos vinte anos orbitando três nomes como se fossem estações do mesmo trem: Ságuas Moraes, Carlos Abicalil e Rosa Neide. Mudam os ciclos, mudam os discursos, mas o roteiro insiste em se repetir com pequenas variações, como se o partido estivesse sempre reescrevendo a mesma história com caneta diferente e expectativa nova.
Em 2006, o PT ainda respirava uma identidade mais nítida. Abicalil lidera com cerca de 45 mil votos e garante a vaga federal. Era um partido com eixo, com referência, com alguma capacidade de dialogar sem parecer que estava pedindo licença para existir. Em 2010, Ságuas assume o protagonismo, ultrapassa os 50 mil votos e mantém o partido competitivo. O bastão troca de mãos, mas o enredo ainda faz sentido. Há continuidade, há base, há um mínimo de coerência entre o que se diz e o que se representa.
Em 2014, começa a transição mais sutil, dessas que não fazem barulho, mas mudam o rumo. Ságuas ainda se elege, Abicalil perde força, e o partido já ensaia um reposicionamento. Não é ruptura, é deslocamento. O PT começa a ajustar o discurso para um Mato Grosso cada vez mais dominado pelo agronegócio. Até aqui, tudo poderia ser chamado de pragmatismo. Política, afinal, raramente é feita com pureza ideológica. O problema é quando o ajuste vira dependência.
Chega 2018 e o partido encolhe no federal para 51 mil votos, todos concentrados em Rosa Neide. É quase uma candidatura solitária sustentando uma sigla inteira. Ela se elege, mas o dado relevante não é a vitória. É a fragilidade. O PT deixa de ser um conjunto e passa a ser uma aposta individual. Quando um partido depende de uma pessoa para continuar existindo eleitoralmente, não é força. É sobrevivência organizada.
Então vem 2022, o dado que confunde os distraídos. O PT salta para 134.914 votos para deputado federal. Cresce, quase triplica em relação a 2018. Quem olha rápido chama de recuperação. Quem olha direito percebe o paradoxo: não elege ninguém. Cresceu, mas não traduziu esse crescimento em poder. É como ganhar volume e perder direção ao mesmo tempo. Um fenômeno curioso, digno de manual de ciência política ou de terapia coletiva.
No plano estadual, a história é menos dramática e mais previsível. Ao longo das cinco eleições, o PT mantém uma faixa entre 60 mil e 85 mil votos, com nomes como Lúdio Cabral, Valdir Barranco e depois Henrique Lopes segurando a estrutura. Aqui o partido não some, mas também não avança. É um platô confortável para quem desistiu de disputar protagonismo e decidiu administrar presença.
E onde entram Ságuas, Abicalil e Rosa Neide nisso tudo? Eles são, ao mesmo tempo, causa e sintoma. Representam momentos em que o partido ainda tinha eixo, depois momentos em que tentou se adaptar, e por fim momentos em que passou a reagir ao ambiente em vez de moldá-lo. A aproximação com o agronegócio não foi um acidente. Foi uma escolha. E como toda escolha política, trouxe ganhos e perdas.
O ganho mais visível é o salto de votos em 2022. A perda mais difícil de admitir é a dificuldade de transformar esse crescimento em representação efetiva. Porque, no fim, voto sem cadeira é só estatística bem apresentada.
O PT de Mato Grosso não desapareceu nesses vinte anos. Isso, por si só, já é um feito em um estado onde o campo político não costuma ser gentil com ele. Mas também não conseguiu romper o ciclo de dependência de lideranças específicas nem construir uma identidade que sobreviva além delas.
Três nomes, cinco eleições, duas décadas. E a sensação persistente de que o partido continua procurando um lugar que já foi seu, mas que hoje parece ocupado por uma versão mais pragmática, mais cautelosa e, ironicamente, menos decisiva de si mesmo.
O PLANO, O PALCO E OS NOMES NA URNA
O PT de Mato Grosso decidiu que, em 2026, não dá mais para brincar de crescer e continuar voltando para casa sem mandato. Então montou um plano. E, para dar um ar de seriedade à coisa, resolveu encher esse plano de nomes, metas e uma fé quase administrativa de que, desta vez, o voto vira cadeira. A prioridade continua sendo reeleger Lula, claro. O resto gira em torno disso: reconquistar uma vaga na Câmara Federal, ampliar a bancada estadual para três cadeiras, fortalecer a Federação Brasil da Esperança com PCdoB e PV e, se possível, trazer gente com voto de verdade, como Zé Carlos do Pátio.
No federal, o objetivo tem nome e sobrenome: Rosa Neide. Depois de 2022, quando teve votação forte e ficou de fora por causa do quociente eleitoral, o partido decidiu que não pode repetir a façanha de ganhar e perder ao mesmo tempo. Para isso, montou uma chapa que parece lista de chamada em dia de prova final: Rosa Neide, Professora Graciele (Sinop), Lisanil Léo Rondon, Sebastião Julier, James Cabral, Wendell Giroto, Altir Peruzzo, Zé Pequeno Noel, Robinson Cireia. A lógica é simples até demais: quanto mais gente competitiva, maior o coeficiente. É menos sobre quem ganha e mais sobre ninguém desperdiçar voto. Uma espécie de mutirão eleitoral, onde cada candidato puxa um pedaço do eleitorado e entrega para a conta coletiva.
Já no estadual, o plano é mais cirúrgico, mas não menos ambicioso. O PT quer sair de dois para três deputados e, para isso, montou outra chapa robusta: Lúdio Cabral, Valdir Barranco, Henrique Lopes, Edna Sampaio, Júnior Mendonça, Cesare Pastorello, Eliane Xunakalo, Professor Carlito, Takakpe Metuktire, Terezinha, Enelinda Scala, Wellington Campos e Matujdo. Aqui a estratégia é quase didática: combinar voto indígena, sindical, urbano e regional. Cada segmento funcionando como uma peça de um quebra-cabeça que, em teoria, fecha em três cadeiras. Na prática, depende de algo que o partido ainda não conseguiu dominar completamente: transferir voto sem perder identidade no caminho.
A federação com PCdoB e PV entra como cola dessa estrutura. É ali que o PT tenta evitar o velho problema da dispersão, aquele fenômeno em que o partido soma votos, mas divide resultado. E é também ali que entra o movimento mais revelador: a tentativa de atrair nomes como Zé Carlos do Pátio e Neuma de Moraes, possivelmente via PV. Traduzindo sem filtro, o PT entendeu que precisa de musculatura externa para sobreviver internamente. Não é mais só sobre convencer o eleitor. É sobre trazer quem já vem com eleitor junto.
No Senado, o partido ainda mede o terreno. Pode lançar um segundo nome, pode recuar. Vai depender das alianças, o que, em linguagem política, significa esperar para ver onde vale a pena apostar sem sair no prejuízo.
No fim, o que o PT apresenta para 2026 é um plano que tenta corrigir um erro básico dos últimos anos: transformar voto em poder real. Tem nomes, tem estratégia, tem federação, tem cálculo. Tudo muito organizado. Quase meticuloso.
Resta saber se essa multidão de candidatos vai funcionar como time ou como plateia. Porque, olhando a história recente, o PT em Mato Grosso já provou que sabe juntar voto. O que ainda precisa demonstrar é algo bem mais complicado: saber o que fazer com ele depois.
DE DANTE A MAGGI: O PT QUE SERVIU À MESA E ESQUECEU O CARDÁPIO
Existe uma habilidade que o PT de Mato Grosso desenvolveu ao longo das décadas e que raramente entra nos discursos oficiais: a capacidade de caber em qualquer mesa. De Dante de Oliveira a Blairo Maggi, o partido transitou, negociou, compôs e, em muitos momentos, serviu. Serviu projeto, serviu palanque, serviu estratégia alheia com a disciplina de quem acredita que estar no jogo já é, por si só, uma vitória.
Nos anos em que Dante ainda representava uma política mais institucional, com verniz democrático e alguma previsibilidade, o PT orbitava como força auxiliar. Não era protagonista, mas também não era irrelevante. Entrava nas alianças com aquele discurso de responsabilidade histórica, como quem diz: “é preciso estar onde as decisões são tomadas”. Traduzindo: melhor dentro com concessões do que fora com pureza.
A transição para o ciclo de Blairo Maggi é onde a coisa ganha contornos mais interessantes. Mato Grosso já não era apenas um estado político. Era um projeto econômico em larga escala, com o agronegócio definindo ritmo, linguagem e prioridade. E o PT, que nasceu falando em conflito social, começa a praticar convivência estratégica. Não foi um rompimento. Foi uma adaptação silenciosa. Dessas que não fazem barulho, mas mudam o DNA.
O partido que antes se colocava como contraponto passa, aos poucos, a funcionar como peça de composição. Em alguns momentos, justificando como pragmatismo. Em outros, chamando de governabilidade. No fundo, exercendo um papel que poucos admitem em voz alta: o de viabilizar arranjos maiores, mesmo que isso significasse diluir a própria identidade no processo.
Não se trata de dizer que o PT virou coadjuvante permanente. Isso seria simplificar demais. O partido teve seus momentos de protagonismo, seus mandatos, suas vitórias importantes. Mas é impossível ignorar que, em boa parte desse percurso, esteve mais próximo de sustentar estruturas do que de confrontá-las. E isso cobra preço. Sempre cobra.
O mais curioso é que essa trajetória ajuda a explicar o presente. Quando o PT hoje tenta equilibrar base social, agronegócio, federação e alianças amplas, ele não está inventando nada novo. Está apenas repetindo, com mais sofisticação, um comportamento antigo: adaptar-se ao ambiente dominante para não desaparecer.
O problema é que, na política, quem se adapta demais corre o risco de não ser mais reconhecido. E aí surge o paradoxo que persegue o PT em Mato Grosso: cresceu em vários momentos, participou de governos, influenciou decisões… mas ainda luta para convencer que sabe exatamente qual é o seu lugar.
De Dante a Maggi, o partido aprendeu a sentar à mesa do poder. Falta decidir se quer continuar servindo o jantar ou, em algum momento, assumir a cozinha.
ENTRE A URNA E O ESPELHO: O ACERTO DE CONTAS DO PT EM MATO GROSSO
O PT em Mato Grosso, depois de quatro décadas de curvas, ciclos, alianças improváveis e votos que sobem e evaporam com a mesma facilidade, chega diante de um objeto simples e cruel: a urna. Não fala, não negocia, não aceita argumento. Só registra.
O balanço não é exatamente confortável. O partido que nasceu pequeno, cresceu na marra, atingiu um auge respeitável nos anos 2000 e depois passou a viver de oscilações, chega a 2022 com um feito curioso: muita votação e pouca conversão. É quase um paradoxo institucionalizado. O PT aprende a pedir voto, mas ainda tropeça na hora de transformar esse voto em poder contínuo.
No papel, a história parece até positiva. Teve senador, teve deputados federais, construiu bancada estadual consistente, nunca desapareceu. Para um partido que enfrenta resistência estrutural em Mato Grosso, isso já seria motivo de comemoração moderada. Mas política não é análise de esforço. É resultado. E aí a conta começa a ficar menos generosa.
A urna, nesse sentido, funciona como espelho. E o que ela reflete não é só número. Reflete escolha. Reflete estratégia. Reflete identidade. Quando o PT cresce e não elege, o problema não é o eleitor. É o arranjo. Quando mantém base, mas não expande, o problema não é falta de voto. É limite político.
Ao longo dessas décadas, o partido tentou de tudo um pouco. Militância pura nos anos 80. Construção institucional nos 90. Expansão e protagonismo nos 2000. Recuo e reorganização nos 2010. E, mais recentemente, pragmatismo quase cirúrgico, com federação, alianças e chapas amplas. Não dá para acusar de imobilismo. O PT se mexeu. O problema é que nem todo movimento leva para frente.
Existe também uma questão menos confortável, dessas que raramente entram em discurso: o partido aprendeu a sobreviver, mas ainda não resolveu como dominar o jogo em Mato Grosso. E sobreviver, em política, é um estágio. Não é destino.
A eleição de 2026 se desenha como um teste simples, quase didático: o PT precisa provar que consegue fazer o básico bem feito. Eleger quem tem voto. Manter quem já tem mandato. Ampliar sem se fragmentar. Parece pouco, mas, olhando o histórico recente, é praticamente um desafio estrutural.
No fim, a urna não vai julgar a trajetória, nem a intenção, nem o discurso. Vai julgar a eficiência. E aí não tem crônica que salve, nem narrativa que explique.
O PT em Mato Grosso chega a esse momento com uma história rica, cheia de nomes, fases e contradições. Mas a pergunta que fica, depois de tudo, é brutalmente simples:
vai continuar sendo um partido que cresce… ou finalmente um partido que vence?